Do colírio ao implante: a revolução nos tratamentos oftalmológicos

Você sabia que o futuro das terapias para doenças oculares crônicas pode estar em um implante capaz de liberar medicamentos de forma contínua por meses?

O desafio dos tratamentos atuais

Doenças que acometem o segmento posterior do olho , como o vítreo e a retina, representam um dos maiores desafios da oftalmologia moderna. As abordagens tradicionais, como colírios e medicamentos sistêmicos, apresentam baixa penetração ocular e limitada biodisponibilidade no local da lesão. Isso leva ao uso de doses elevadas, maior risco de efeitos adversos e necessidade de aplicações repetidas, aumentando o desconforto do paciente e a probabilidade de complicações, como hemorragias, infecções e deslocamento de retina.

Além disso, a necessidade de tratamentos frequentes compromete a adesão terapêutica, impactando negativamente os resultados clínicos.

A inovação dos DILPs

No CPMO, desenvolvemos os Dispositivos Intraoculares de Liberação Prolongada (DILPs), uma tecnologia baseada em polímeros biodegradáveis e altamente biocompatíveis. Esses implantes liberam o medicamento de maneira precisa e sustentada diretamente no local de ação.

Após cumprir sua função terapêutica, o dispositivo é naturalmente degradado pelo organismo, eliminando a necessidade de remoção cirúrgica e tornando o tratamento mais seguro e confortável.

Vantagens e aplicações clínicas

Os DILPs representam um avanço importante em relação às terapias oftálmicas convencionais e aos implantes já disponíveis no mercado.

Entre seus principais benefícios estão:

  • Redução de procedimentos invasivos, promovendo maior conforto ao paciente;

  • Maior segurança, sem impacto na pressão intraocular, na transparência dos meios oculares ou na função retiniana;

  • Ação terapêutica prolongada, com durabilidade superior a seis meses;

  • Flexibilidade, permitindo a incorporação de diferentes fármacos e concentrações;

  • Custo reduzido quando comparado a outros implantes comerciais.

Essas características fazem dos DILPs uma plataforma promissora para o tratamento de doenças crônicas como uveítes não infecciosas, degeneração macular relacionada à idade e glaucoma.

Resultados científicos

Estudos conduzidos em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) avaliaram a segurança e o desempenho desses dispositivos em modelos experimentais.

O implante biodegradável de PLGA carregado com sirolimo demonstrou liberação sustentada por até oito semanas, alcançando concentrações eficazes no vítreo. Ensaios de toxicidade in vitro indicaram viabilidade celular superior a 70%, atendendo aos critérios internacionais de segurança.

Avaliações clínicas, histológicas e eletrofisiológicas confirmaram a ausência de efeitos tóxicos relevantes, preservando a integridade estrutural e funcional da retina.

Patente e lideraça científica

Essa inovação é protegida pela patente PI 0604577-4, resultado da liderança científica do Prof. Dr. Armando da Silva Cunha Júnior e da atuação integrada da equipe multidisciplinar do CPMO. A patente reforça o compromisso do laboratório em transformar conhecimento científico em soluções terapêuticas eficazes, seguras e acessíveis.

Impacto social

Mais do que uma inovação tecnológica, os DILPs representam uma oportunidade real de melhorar a adesão ao tratamento, reduzir complicações e proteger a visão de milhares de pacientes que dependem de terapias contínuas.

No CPMO, trabalhamos para ir além da pesquisa: buscamos desenvolver soluções que devolvam qualidade de vida, autonomia e esperança a pessoas que convivem com doenças oculares crônicas.

Essa é a nossa contribuição para um futuro em que a cegueira evitável seja cada vez mais rara.

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